deV( )id Games | because we're tired of no return;

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“… na escuridão, levantou seu candelabro. Os pequenos flocos de poeira flutuavam, alguns sendo capturados pelas enormes teias que ali se encontravam, abandonadas até pelas próprias aranhas – o retrato de um local há muito não visitado. O que não suspeitava é que, à sua espreita, havia um…”

Post novo no blog!!!!!111one

Como alguns de vocês já sabem, acabamos de lançar o nosso último newsgame/jogo de crítica/sátira lúdica/etc., o arrEcad!, que pode ser jogado até por quem nem tem FEICE! Como todo jogo de crítica que se preze, tem muito mais coisa do que é mostrado explicitamente e, como nós não somos tão artistas assim, tem que ter um post CliffsNotes a respeito. Obviamente, aproveitando pra incluir um pouco de postmortem de desenvolvimento, apesar de que o ciclo de vida do jogo ainda não está bem finalizado (já que a qualquer momento o ECAD pode fazer caca e voltar a ser polêmica 😀 )

A motivação

Quem não estava por aí debaixo de uma pedra, viu que as internetes se revoltaram pela recente cobrança indevida do ECAD em cima de blogs que embedavam vídeos do YouTube. Pra qualquer pessoa que já tenha tido envolvimento direto com produção cultural nesta terra nostra, o ECAD já é figurinha carimbada com rage faces há muito tempo mas, dessa vez, eles pegaram numa ferida que já era meio dolorida: vídeos do YouTube. Muita gente já sabia que o Google tinha um acordo com o ECAD sobre os vídeos de lá e, quando eles resolveram criar dinheiro do ar cobrando duas vezes (do Google, que hospedava, e do dono do blog, que publicava), a ação caiu na boca da Internet. E a Internet nunca perdoa.

You don't mess with the Zohan!

You don't mess with the Zohan!... or the Internet!

E aí todo mundo passou a saber quem era o ECAD e que ele era mau. Obviamente, com o poder de todo seu legalese, a organização dobrou o espaço-tempo invocando o art. 5º inciso II da Lei de Direitos Autorais 9.610/98 para justificar as cobranças. Até que o Google desdobrou, o que obviamente acabou com a palhaçada, pelo menos temporariamente. O que não impediu a gente de fazer uma sátira a respeito!

Eu, por já ter organizado eventos musicais, e o Tinnus, por ser ator de teatro, já nos deparamos com essa besta (entendam como quiserem) várias vezes – então agora era o momento perfeito pra dizer algo a respeito.

O gameplay

Como gameplay é o forte dos jogos como mídia, sempre tentamos amarrar o gameplay ao máximo na crítica. Por isso………. pensamos num reskin de um projeto em pausa. Você não achou que a frase fosse terminar assim, né?

Temos um projeto, atualmente na geladeira, que fizemos para o contest da Unity Flash. Não saiu nada no contest, mas temos um projeto legal pra trabalhar em cima em paralelo ao Sum… ahem, nosso atual projeto (sem spoilers! post a respeito em breve!). Como a polêmica já estava dando notícias que ia sair da cabeça do povo, precisávamos de um ciclo muito rápido de desenvolvimento. E o melhor jeito de ter isso era basicamente modificando esse projeto já existente.

“Espera… então vocês ignoraram completamente essa coisa de amarrar a crítica no gameplay?”

Na verdade não! Pensa só: o ECAD é um grande porrete que, protegido por lei, pode cobrar de qualquer um, seja um show independente ou até noivos em seu casamento. Ok, isso é um exagero, POR LEI, eles não podem. Mas sempre ajuda ter gente do governo apoiando, certo? 😉

E claro, só mostramos a primeira parte, que era bater nos “little guys” como um impávido colosso de clava forte, jorrando dinheiro e juntando num local obscuro porque… bom, porque a gente não sabe se acredita muito no que eles dizem que fazem com o dinheiro que arrecadam.

Mas temos alguns palpites.

Mas temos alguns palpites.

A música

Depois de muito exercitar o músculo criativo nesses últimos anos, a idéia inteira pro jogo veio como um flash, uma grande descarga de resposta à pergunta: “como fazer o reskin de um jogo completamente alheio de um jeito que ele vire uma boa crítica?”. O processo inteiro demorou basicamente um passeio de metrô.

A música, obviamente, tinha que ser uma parte importante disso. Lembrei do Pachelbel Rant, que é um sketch de humor muito engraçado que mostra que a harmonia mais kibada de todos os tempos é a da Canon in D, do Pachelbel. Ela está presente da música clássica ao punk, do country ao pop. E aí bateu a idéia: e se cada personagem tivesse agregado com um arranjo em cima dessa mesma harmonia, e eles fossem dando fade in e out quando aparecessem/sumissem?

O que é legal aqui é que, por dar uma porrECADa nas manifestações culturais, você interrompe uma parte da música; se você (o ECAD) for bem sucedido, a manifestação da música nunca vai conseguir ser completa. Como no Corrida Presidencial, a pergunta é: será que é bom você ganhar pelas regras do jogo e interromper o processo da música “emergir” dali, ou perder – que é um resultado ruim pra você, mas melhor para o todo? A decisão é sempre sua.

 

Artsy, huh?

Artsy, huh?

 

Content

Como todo reskin, a maior parte da problemática era o conteúdo. Felizmente, nós há algum tempo temos o PowerDummy(TM). PowerDummy(TM) é um bonequinho mal feito, com poucos polígonos, um UVMap distorcido, riggado de maneira marromenos… MAS:  ele está pronto pra qualquer trabalho. Justamente por ser simples e, principalmente, já estar pronto, ele facilitou bastante o ciclo de desenvolvimento. Por isso, a dica daqui é: sempre tenham um bonequinho facilmente alterável à mão (e garantam que ele só vai ser visto de longe)!

 

Gêmeos!

Plataforma

Precisávamos de algo que fosse divulgado facilmente e, como já estávamos de olho no Facebook, pareceu a oportunidade perfeita pra testar a API. Além disso, o Heroku começou a hostear apps di gratis (com caveats, claro, como limite de um dyno web nas contas free). E como já estávamos com alguma experiência no desespero, ahem, na feature de export pra Flash da Unity, resolvemos testar a penetração e o custo/benefício contra o Web Player.

O processo de desenvolvimento com Flash tem vários probleminhas, obviamente, por ser beta – por exemplo, você não deveria serializar booleans, a não ser que ache pontos de exclamação atraentes – mas, felizmente, já tínhamos visto de quase tudo fazendo o projeto do contest, então não deu tanto trabalho assim, já que sabíamos o que evitar, e que o codebase era bem parecido.

A pergunta é: foi melhor ter publicado em Flash? Não sabemos, mas não foi tão bom quanto gostaríamos. Primeiro porque o .SWF tem um overhead considerável de tamanho (e isso faz as pessoas esperarem mais pra jogar). Segundo porque, obviamente, a performance é muito melhor no plugin da Unity. Isso tudo agregado a possíveis problemas de versão do Flash Player na máquina do jogador e… bom, o final da história é que acabamos colocando depois uma versão Web Player no ar também. Unity Flash é promissor, mas ainda não é bem uma plataforma estável o suficiente para publicação.

E quem diabos era aquela senhora?

Pra quem chegou a ~17k pontos, provavelmente notou a visita inusitada de uma nobre senhora, acompanhada de um familiar “TOASTY!” (sim, meu mundo também caiu quando era moleque e descobri que o Dan Forden dizia “Toasty!” e “Frosty!” e não “whoopie!”). Quem é ela?

 

Toasty!

Uma personagem meio obscura, quase um easter egg, que só aparece de tempos em tempos, que você nem sabe se tem relação direta com a coisa toda ou não (ou que pelo menos, se ela for perguntada, com certeza vai negar!). Como o diabo está nos detalhes, tirem a ferrugem dos seus conhecimentos de história e de geografia, e deixem o L que falta por nossa conta.

Conclusões

Como mencionado ali em cima, o ciclo de vida do projeto ainda não está bem fechado ainda, então parte das conclusões deve vir num post post post post posterior. No entanto, como entidade crítica (que era o intuito maior), acho que foi um sucesso. Dissemos o que queríamos dizer, de maneira até bem sutil em alguns aspectos – afinal, a boa arte está nas entrelinhas – e, no fim das contas, saiu mais divertido que o Corrida Presidencial (o que não era muito difícil)!

E sobre a frequência de posts no blog, ainda não sabemos como vai ser mas, por enquanto, fiquem de olho no FEICE, honrem-nos com vossos likes e RTs, comentem  por aí.

Em Suma, Checkem em breve! Over and out!

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Ressuscitando um trocadilho infame, esse post é pra explicar o que diabos é o Corrida Presidencial. Se você ainda não jogou, clique no link anterior e vá jogar! É melhor ler a respeito só depois de ter visto!

Quando entrei de férias do último período – infelizmente, último as in “o anterior“, e não o “derradeiro“; ao contrário da calúnia que o Tinnus contou no último post, eu infelizmente só me formo no meio do ano, apesar de já começar o mestrado junto com ele esse semestre, sendo a minha futura tese motivo de vários posts que vão vir,  se tudo der certo – resolvi que devia aproveitar o tempo pra aprender o máximo possível sobre plataformas que nunca tinha programado. As minhas metas: Unity3d (que, apesar do Brasil Game Jam, não tive tanto contato direto com ela), Android e Flash.

Como toda boa promessa de ano novo, as coisas não foram bem como eu planejava. Mas nesse caso, não foi só por desleixo, mas sim porque estava enrolado tentando arrumar um financiamento pra deV( )id tomar mais formas… formais (que em breve talvez vire post aqui também). Além disso, teve o projeto final, que terminamos em tempo record e assim que defendermos devemos liberar o texto por aqui. Adicione aí o GameRama e… bom, as famigeradas promoções de fim de ano do Steam (engoli Lara Croft & The Guardian of Light e Mafia II e recomendo fortemente os dois!).

Enfim, um belo dia, resolvi parar de procastinar. Baixei o Flixel e o FlashDevelop, segui as primeiras instruções do FlashGameDojo e BAM, estava tudo pronto pra começar. E eu já tinha uma idéia do que fazer.

As eleições

Um belo dia de 2010, em plenas eleições presidenciais, estava no laboratório conversando com o Tinnus, o prof. Adriano (nosso orientador) e os amigues do time do Brasil Game Jam.  O meu comentário recorrente durante todas as eleições foi que, apesar de isso ser normal em qualquer eleição desde sempre, as mudanças radicais de opinião dos candidatos ia além dos limites de qualquer tipo de vergonha na cara. Independentemente das preferências políticas de cada um, acho que isso deveria ter sido bem notado e, pra minha surpresa, não foi tanto. “Política é assim!” – mas não deveria, na minha opinião.

Os candidatos “favoritos” advogaram contra e a favor de tudo. O problema é que faziam isso ao mesmo tempo, nos mesmos assuntos, dependendo de a quem estivessem falando. São números, é marketing e, infelizmente, o público alvo deles é uma nação inteira com toda a sua variedade, e não um nicho específico com quem se pode exacerbar um ponto de vista. E aí, quando os números mudam, talvez a postura tenha que mudar também.

Uma mudança de postura, pra mim, não é nada mais que natural, afinal de contas, é um meio para um fim; ninguém é eleito sem agradar ninguém e política nunca foi sobre o melhor para todos – se fosse o melhor para todos, sem exceção, não precisaria de política. O que me incomodou era que a mudança de postura era mais profunda, era uma mudança (aparente) de opinião. E mesmo não sendo a mãe do Paulinho, isso me deixou bem impressionado, porque nunca tinha sido tão cara de pau.

O Jogo

Como muita gente sabe, eu sou fan de Canabalt. O Adam Atomic causou uma pequena revolução em jogos de flash porque, depois dele, a quantidade de one button games que apareceu (e alguns deles eram realmente excelentes!) foi impressionante, a coisa ganhou

15 minutos depois...

15 minutos depois...

ahem – mais atenção.  E mais genial ainda foi o pequeno twist numa versão alternativa do jogo, que te ensinava a digitar sem olhar, porque se você não apertasse a tecla certa na hora certa… morte certa! Durante a tal discussão acima, eu me lembrei disso e disse

Seria legal fazer um jogo tipo Canabalt, mas em vez de ser um cara num prédio, ele é um candidato à presidência. Aí aparece uma pergunta e,  dependendo de quem aparecer, ele tem que responder de um jeito ou de outro, senão cai no buraco!” risos risos.

Mas pera aí. Realmente. Era isso. Era assim que eu me sentia em relação às eleições! Eu deveria fazer esse jogo! E eu fiz.

No Corrida Presidencial, você é um candidato à presidência de um país fictício. Você corre numa pista e tem que pular obstáculos mas, para pular, você precisa responder corretamente a sua opinião sobre uma questão. “Espera aí, responder corretamente minha opinião? Se é minha opinião não tem o que errar ou acertar!” – não se você é um candidato a presidência! Sua resposta só é certa se te render mais votos, logo, você tem que responder de acordo com os eleitores que estão te vendo naquela hora.

O timing

Nossa, muito legal, mas por que você não lançou isso na época das eleições, pra ser mais contextualizado?

Por três motivos

  1. Eu tinha coisa pra caceta pra fazer. Avaliação e Desempenho é uma das matérias mais cabeludas do universo, e o tempo que sobrava pra qualquer coisa era bem pequeno;
  2. Eu acho meio [insira palavra negativa aqui] se aproveitar de uma situação polêmica qualquer pra fazer um jogo meia boca pra cair na boca do povo. É tipo roubar cuecas, você caiu na boca do povo, parabéns… e agora? Houve casos de gente que foi contratada pra fazer jogos com foco em política pelos candidatos e, obviamente, esses não caem nem de perto nessa classificação – era gente sendo paga por um serviço, e viver de gamedev no Brasil não é nada fácil, então pelo contrário, fico feliz que tenham conseguido essa oportunidade. Inclusive, tem jogos “oportunistas” desses que até dão resultado, mas normalmente, são só tosqueiras.
  3. Brasileiro tem a memória curta. Eu lembro disso tudo porque me marcou de maneira negativa, e porque germinou essa idéia na minha cabeça. Se não tivesse sido por isso, provavelmente teria esquecido como a maioria das pessoas esqueceu. E talvez lançar isso agora ajude não só a lembrar, mas também que pessoas considerem com mais calma e de cabeça fria o que não consideraram nas eleições que (isso provavelmente todo mundo lembra) viraram briga de torcida de futebol. My daddy beats your daddy!

O 1 foi o causador, o 2 o justificador e o 3 foi uma das coisas que eu percebi com o processo.

Mas o seu jogo também é meia boca!

Aí é que entra uma das outras descobertas associadas. Sim, ele pode ser. Mas eu precisava fazer o jogo. Tem uma expressão que muita gente usa, especialmente em relação a música/arte em geral que é “i just had to get it out of my system“. Às vezes você tem uma idéia e a ânsia de simplesmente fazer aquilo é justificativa o suficiente pra fazer. E é aí que eu percebi que jogos podem sim, ser arte. Arte é isso, é algo que você precisa fazer, você precisa ver pronto, algo que te incomoda de ter na cabeça e não materializar. Por outro lado, isso não quer dizer nem um pouco que eu concorde com baboseiras artsy fartsy que rolam por aí: jogos têm que ser divertidos, ponto. Se não é divertido, ou é um jogo ruim, ou não é um jogo. Mas não tem problema nenhum em não ser um jogo! Só não fique falando que o futuro da maturidade do meio deve ser um tipo esquisito de interactive fiction, exclusivamente. You dick!

Ao mesmo tempo, cada vez mais eu vejo que não tem problema ser um jogo ruim, se for pra passar uma determinada experiência, e aquilo seja o que o público sendo atingido gosta. Por isso, não anuncie outra coisa. Seja honesto com o seu público. Se o seu jogo é não tão legal, mas tem uma boa idéia por trás, faça como eu: fale! Entao aí está: o Corrida Presidencial não é tão legal, mas ele passa uma mensagem que eu gostaria de passar. Nas eleições passadas, muita gente escreveu em blogs, muita gente xingou muito no twitter… e eu? Eu fiz um jogo. E de quebra aprendi a mexer numa plataforma completamente nova pra mim. Tem desvantagens? Acho que não.

Não seja tão duro consigo mesmo, amigue!

Não seja tão duro consigo mesmo, amigue! Você tem seus talentos!

Decisões

Apesar de tudo, queria que o jogo não fizesse apologia a favor ou contra nenhum candidato. Por isso, ele se passa num país completamente desconhecido, cujas cores da bandeira não são definidas, os monumentos são fictícios e onde os cadidatos que você pode escolher são completamente imaginários: João Guerra e Vilma Nassif. Qualquer semelhança é puramente coincidência.

Tem um candidato no jogo, no entanto, que tem muitas referências literais; e eu não vou dizer quem é, senão dá spoiler. Mas se você destravar ele, ganha um achievement! E esse candidato era o único dos três que não merecia estar ali, por um motivo básico: ele nunca travestiu suas opiniões pra ganhar votos. Então a presença dele é mais uma homenagem que qualquer outra coisa. E a vantagem é que você tem N-eas vidas com ele, o que te dá a chance de jogar como você jogaria na vida real: mentir pra ganhar mais votos ou fazer uma longa corrida mantendo as suas opiniões verdadeiras do início até o fim, mesmo que isso signifique ganhar menos votos. Obviamente quem só for jogar 5 minutinhos e falar “heh, que bosta” não vai ter saco de ler até aqui, mas hey, had to get it out of my system!

Finito!

Como eu fiz tudo sozinho (obviamente com ajuda de opiniões e playtests de todos que tão lá nos créditos e outros, mais o Eddy Seabra que me deu umas boas dicas pra deixar a landing page do jogo mais bonitinha), o tempo que eu investi foi um bocado maior que o que se investe num jogo de fim de semana. Sempre se deve tentar fazer o melhor possível dentro do tempo que você tem; o mais difícil é pesar essas duas coisas. Eu cheguei num ponto em que o jogo estava bom-o-suficiente porque 1) já tinha tudo que eu queria passar; 2) era mais divertido do que eu esperava que ficasse e 3) tava na hora de largar o osso e partir pro próximo projeto. Então é isso, embora longe de perfeito, tentei deixar fechadinho e polido dentro do deadline que eu me impus mas, obviamente, ficarei feliz com qualquer sugestão ou bug report que vocês possam colocar aqui nos comentários! Então como sempre, agradeço a todos que jogaram e que leram até aqui. Espero que o jogo e o post sirvam pra pensar uns 5 minutinhos sobre qualquer um dos assuntos, e que tenham sido pelo menos levemente divertidos!

Pra quem quiser, seria de grande ajuda responderem a 4 perguntinhas a respeito do jogo! Nenhuma delas é obrigatória e você não precisa se identificar/dar e-mail nem nada! Basta clicar aqui!

Assim que der, vou fazer alguns posts aqui no blog sobre como usar o Flixel – teve muita coisa boba que eu demorei um bocado pra pegar, então acho que pode ajudar alguém! Pensei até em divulgar o fonte também, mas boy oh boy, depois da semana final em modo XGH, ele virou uma macarronada só que ia atrapalhar mais que ajudar – e a sensação de colocar o código aqui seria a mesma de postar uma foto nu na internet. Sim, nu, na internet. Agora que você está desinteressado no source, fique de olho no twitter pros posts sobre Flash!

Nu. Na internet. Sim.

Nu. Na internet. Sim.

Off I go!

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O post numa casca de nós

Todo mundo já deve ter ouvido falar do projeto de lei do senador Valdir Raupp que determina pena de até 3 anos para quem comercializar, distribuir ou estocar jogos considerados “ofensivos”. Isso rodou as comunidades de jogadores, até mesmo em meios internacionais e motivou uma carta aberta à população por parte da Abragames.

O que nem todo mundo percebeu é que o projeto está, há um bom tempo, em vias de aprovação. A notícia já tem quase dois meses, mas a bigorna só me caiu na cabeça agora: o que exatamente nós, como cidadãos, desenvolvedores e jogadores estamos fazendo a respeito?

Na atual situação, após ser aprovada na Comissão de Educação, o projeto é enviado para a Comissão de Constituição e Justiça. Se lá também for aprovado (corrijam-me se eu estiver errado aqui) ele vai pra mão do presidente, este podendo vetar (enviando de volta para que seja replanejada) ou aprovar, virando, assim, lei de fato.

Pra quem não tiver tempo, nem paciência de ler, já adianto a pergunta chave do post: o que NÓS podemos fazer? Eu pergunto isso com toda sinceridade do mundo, porque realmente não sei. Espero que vocês tenham sugestões, o espaço de comentários está aí pra isso.

Agora, pra quem quiser ler um dos posts gigantes, lá vamos nós.


“Ofensivo”

Resumidamente, o projeto de lei

Altera o art. 20 da Lei nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989, para incluir, entre os crimes nele previstos, o ato de fabricar, importar, distribuir, manter em depósito ou comercializar jogos de videogames ofensivos aos costumes, às tradições dos povos, aos seus cultos, credos, religiões e símbolos.

Ignorando completamente a justificativa ignóbil de que

[…] os videogames mudam as funções cerebrais e insensibilizam os jovens diante da vida. Os jogadores frequentes sofrem danos a longo prazo em suas funções cerebrais e em seu comportamento.

dada pelo sen. Valter Pereira, podemos partir para o grande problema do texto: o que classifica algo como ofensivo?

Na real, qualquer coisa pode ser ofensiva a qualquer pessoa. Um cristão pode se sentir ofendido por um jogo como Diablo. Ou então uma pessoa negra ou um latino pode se ofender com o fato das gangues do GTA San Andreas serem compostas por membros de suas etnias. Diabos, a Associação dos Pingüins e Galinhas do Sergipe pode ficar ofendida com o fato do Taikodom ser baseado na ação de voar. Os monstros do planeta Blwarh podem ficar ofendidos com a idéia de que um deles poderia matar uma criança inocente. O próprio Valdir Raupp pode ficar ofendido com o fato desse post mencionar os dois inquéritos do Supremo Tribunal Federal em que ele é investigado, as duas ações penais que ele é réu, a assessora que ele não sabe quem é e o seu ex-assessor que ganhou uma rádio. Aliás, o povo brasileiro inteiro pode se sentir ofendido de ter políticos  por aí apertando a mão do José Sarney também!

"Malditos voadores! MALDITOS!"

"Malditos voadores! MALDITOS!"

Não é que eu ache legal um jogo em que você abate freiras e grávidas golpeando-as com cópias de Mein Kampf. Tudo tem seu limite. Mas quanto mais nos aproximamos da fronteira dos jogos com a arte, esse limite fica mais complicado de se definir. E aí entra Voltaire: “Posso não concordar com a sua opinião, mas vou defender até a morte o seu direito de expressá-la”. E se na verdade esse jogo só mostra pra você o quão ERRADO é fazer isso? Qual a validade dessa provocação? É diferente de um filme como “A Queda” que, mal ou bem, coloca Adolf Hitler numa posição em que pode receber empatia da platéia? Ou o “Tropa de Elite” que faz as pessoas se dessensibilizarem com o uso de tortura como modo de conter a violência urbana?

Com muito estardalhaço foi lançado, há uns bons anos, o “Super Columbine Massacre RPG!“, um jogo que colocava o jogador como um dos assassinos do massacre na escola. Em 2007, ele foi um dos selecionados para o Slamdance Festival (festival de cinema independente que acontece ao mesmo tempo que o Sundance, só pra dizer que é independente MESMO). E no fim das contas, foi removido (com certeza por pressões de patrocinadores, apesar disso ter sido negado pelo diretor do evento). O resultado? Grande parte dos jogos que hoje em dia são verdadeiras pérolas do cenário indie dos jogos também foram tirados da competição pelos seus criadores, em sinal de protesto. Entre elas fl0w, Everyday Shooter, Castle Crashers e Braid.

O que o Jonathan Blow falou a respeito? Basicamente, deu uma de Voltaire. Não é que seja um jogo legal, bem feito ou divertido de se jogar. A discussão transcende o certo e o errado JUSTAMENTE porque o jogo é ambíguo nesse sentido: ele te faz PENSAR. Coisa que a mídia em massa evita a todo custo.

Não é o Voltaire.

Não é o Voltaire.

E por que se preocupar?

Justamente por causa da mídia. Existem incontáveis leis que existem, ninguém sabe nada a respeito e não são policiadas. Por exemplo, alguém lembra que atendimento técnico por telefone, desde 2008, deve funcionar 24/7 e o prazo máximo para resolução de problemas é de 5 dias? Aparentemente a Americanas.com e o Submarino.com não, vide minhas compras de Natal. Mas hey, é lei!

Então por que achar que a lei dos jogos ofensivos não vai cair no esquecimento? A-ha! Mídia. É um assunto polêmico. Centenas de milhares de pessoas acham que jogos eletrônicos são prejudiciais, que são portas para a violência, que são coisa do Diabo. E isso é explorado todo santo dia na mídia. Lembram dos “assassinatos do RPG” há alguns anos atrás? Ou o Duke Nukem ser tutorial pra um bom rapaz, se formando em medicina, resolver descer bala por aí? É culpa dos jogos? Claro que é. Os pais negligentes ou as doenças mentais ignoradas por anos a fio e, principalmente, o fomento da ignorância nas massas obviamente que não são. E isso é explorado o máximo possível. E exposição na mídia é importante pra várias carreiras, principalmente a de… Político!

O problema não são os políticos serem regressistas. É a população. É ela que põe eles lá. Aliás, isso é o grande defeito da democracia: a ignorância da maioria afeta a vida de todos. Então, caso essa lei passe, qualquer jogo que caia na boca de um juiz sem noção vai poder entrar nos trâmites dela como “ofensivo”. E é daí pra baixo.

Mais ou menos isso, mas com a internet também.

Mais ou menos isso, mas com a internet também. E não só com crianças.

E a indústria? Aquela que foi até citada no Gamasutra há alguns dias atrás, por alguém que acha que a gente pode, de fato, deslanchar? Bom, pensem assim: quem é que vai ter interesse em fazer lobby em um país onde os seus consoles não vendem porque os seus jogos não podem ser comprados? E se não tiver lobby, como as taxas de importação pra hardware e software de gaming vão abaixar, diminuindo a “necessidade” de pirataria do grande público? E de que vai adiantar publishers investindo aqui em jogos que não vão vender lá fora, já que os com algum potencial de exportação foram considerados “ofensivos” em território nacional? E finalmente: onde vamos ficar como artistas?

O que fazer, então?

O que eu disse ali em cima vale pra quem (ufa, obrigado) leu tudo até aqui. Não sei, não sei mesmo. Mas coisas me cruzam a cabeça: por que não teve um abaixo assinado FÍSICO no último SBGames a respeito, por exemplo? Eu honestamente não sei se essas coisas contam pra alguma coisa ou não, mas imagino que um bolo de 20kg de papel deva contar mais do que 20 abaixo-assinados virtuais diferentes e desconexos. Não diminuindo a iniciativa, mas quem poderia unificar tudo em um só?

O que a Abragames, como órgão representante da indústria, por exemplo, pode fazer? O que nós, como cidadãos que pagamos impostos, podemos fazer? E como consumidores, o que podemos fazer para que empresas como a  Microsoft e a Sony, que querem entrar no mercado nacional nessa área, ajudem nisso?

A qualquer um pára-quedista que tenha alguma idéia, por favor, comente. Como todas as outras facetas da nossa terra-devoid-games, precisamos ser pró-ativos, antes que seja tarde demais.

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