deV( )id Games | because we're tired of no return;

Archive for February 2011

Ressuscitando um trocadilho infame, esse post é pra explicar o que diabos é o Corrida Presidencial. Se você ainda não jogou, clique no link anterior e vá jogar! É melhor ler a respeito só depois de ter visto!

Quando entrei de férias do último período – infelizmente, último as in “o anterior“, e não o “derradeiro“; ao contrário da calúnia que o Tinnus contou no último post, eu infelizmente só me formo no meio do ano, apesar de já começar o mestrado junto com ele esse semestre, sendo a minha futura tese motivo de vários posts que vão vir,  se tudo der certo – resolvi que devia aproveitar o tempo pra aprender o máximo possível sobre plataformas que nunca tinha programado. As minhas metas: Unity3d (que, apesar do Brasil Game Jam, não tive tanto contato direto com ela), Android e Flash.

Como toda boa promessa de ano novo, as coisas não foram bem como eu planejava. Mas nesse caso, não foi só por desleixo, mas sim porque estava enrolado tentando arrumar um financiamento pra deV( )id tomar mais formas… formais (que em breve talvez vire post aqui também). Além disso, teve o projeto final, que terminamos em tempo record e assim que defendermos devemos liberar o texto por aqui. Adicione aí o GameRama e… bom, as famigeradas promoções de fim de ano do Steam (engoli Lara Croft & The Guardian of Light e Mafia II e recomendo fortemente os dois!).

Enfim, um belo dia, resolvi parar de procastinar. Baixei o Flixel e o FlashDevelop, segui as primeiras instruções do FlashGameDojo e BAM, estava tudo pronto pra começar. E eu já tinha uma idéia do que fazer.

As eleições

Um belo dia de 2010, em plenas eleições presidenciais, estava no laboratório conversando com o Tinnus, o prof. Adriano (nosso orientador) e os amigues do time do Brasil Game Jam.  O meu comentário recorrente durante todas as eleições foi que, apesar de isso ser normal em qualquer eleição desde sempre, as mudanças radicais de opinião dos candidatos ia além dos limites de qualquer tipo de vergonha na cara. Independentemente das preferências políticas de cada um, acho que isso deveria ter sido bem notado e, pra minha surpresa, não foi tanto. “Política é assim!” – mas não deveria, na minha opinião.

Os candidatos “favoritos” advogaram contra e a favor de tudo. O problema é que faziam isso ao mesmo tempo, nos mesmos assuntos, dependendo de a quem estivessem falando. São números, é marketing e, infelizmente, o público alvo deles é uma nação inteira com toda a sua variedade, e não um nicho específico com quem se pode exacerbar um ponto de vista. E aí, quando os números mudam, talvez a postura tenha que mudar também.

Uma mudança de postura, pra mim, não é nada mais que natural, afinal de contas, é um meio para um fim; ninguém é eleito sem agradar ninguém e política nunca foi sobre o melhor para todos – se fosse o melhor para todos, sem exceção, não precisaria de política. O que me incomodou era que a mudança de postura era mais profunda, era uma mudança (aparente) de opinião. E mesmo não sendo a mãe do Paulinho, isso me deixou bem impressionado, porque nunca tinha sido tão cara de pau.

O Jogo

Como muita gente sabe, eu sou fan de Canabalt. O Adam Atomic causou uma pequena revolução em jogos de flash porque, depois dele, a quantidade de one button games que apareceu (e alguns deles eram realmente excelentes!) foi impressionante, a coisa ganhou

15 minutos depois...

15 minutos depois...

ahem – mais atenção.  E mais genial ainda foi o pequeno twist numa versão alternativa do jogo, que te ensinava a digitar sem olhar, porque se você não apertasse a tecla certa na hora certa… morte certa! Durante a tal discussão acima, eu me lembrei disso e disse

Seria legal fazer um jogo tipo Canabalt, mas em vez de ser um cara num prédio, ele é um candidato à presidência. Aí aparece uma pergunta e,  dependendo de quem aparecer, ele tem que responder de um jeito ou de outro, senão cai no buraco!” risos risos.

Mas pera aí. Realmente. Era isso. Era assim que eu me sentia em relação às eleições! Eu deveria fazer esse jogo! E eu fiz.

No Corrida Presidencial, você é um candidato à presidência de um país fictício. Você corre numa pista e tem que pular obstáculos mas, para pular, você precisa responder corretamente a sua opinião sobre uma questão. “Espera aí, responder corretamente minha opinião? Se é minha opinião não tem o que errar ou acertar!” – não se você é um candidato a presidência! Sua resposta só é certa se te render mais votos, logo, você tem que responder de acordo com os eleitores que estão te vendo naquela hora.

O timing

Nossa, muito legal, mas por que você não lançou isso na época das eleições, pra ser mais contextualizado?

Por três motivos

  1. Eu tinha coisa pra caceta pra fazer. Avaliação e Desempenho é uma das matérias mais cabeludas do universo, e o tempo que sobrava pra qualquer coisa era bem pequeno;
  2. Eu acho meio [insira palavra negativa aqui] se aproveitar de uma situação polêmica qualquer pra fazer um jogo meia boca pra cair na boca do povo. É tipo roubar cuecas, você caiu na boca do povo, parabéns… e agora? Houve casos de gente que foi contratada pra fazer jogos com foco em política pelos candidatos e, obviamente, esses não caem nem de perto nessa classificação – era gente sendo paga por um serviço, e viver de gamedev no Brasil não é nada fácil, então pelo contrário, fico feliz que tenham conseguido essa oportunidade. Inclusive, tem jogos “oportunistas” desses que até dão resultado, mas normalmente, são só tosqueiras.
  3. Brasileiro tem a memória curta. Eu lembro disso tudo porque me marcou de maneira negativa, e porque germinou essa idéia na minha cabeça. Se não tivesse sido por isso, provavelmente teria esquecido como a maioria das pessoas esqueceu. E talvez lançar isso agora ajude não só a lembrar, mas também que pessoas considerem com mais calma e de cabeça fria o que não consideraram nas eleições que (isso provavelmente todo mundo lembra) viraram briga de torcida de futebol. My daddy beats your daddy!

O 1 foi o causador, o 2 o justificador e o 3 foi uma das coisas que eu percebi com o processo.

Mas o seu jogo também é meia boca!

Aí é que entra uma das outras descobertas associadas. Sim, ele pode ser. Mas eu precisava fazer o jogo. Tem uma expressão que muita gente usa, especialmente em relação a música/arte em geral que é “i just had to get it out of my system“. Às vezes você tem uma idéia e a ânsia de simplesmente fazer aquilo é justificativa o suficiente pra fazer. E é aí que eu percebi que jogos podem sim, ser arte. Arte é isso, é algo que você precisa fazer, você precisa ver pronto, algo que te incomoda de ter na cabeça e não materializar. Por outro lado, isso não quer dizer nem um pouco que eu concorde com baboseiras artsy fartsy que rolam por aí: jogos têm que ser divertidos, ponto. Se não é divertido, ou é um jogo ruim, ou não é um jogo. Mas não tem problema nenhum em não ser um jogo! Só não fique falando que o futuro da maturidade do meio deve ser um tipo esquisito de interactive fiction, exclusivamente. You dick!

Ao mesmo tempo, cada vez mais eu vejo que não tem problema ser um jogo ruim, se for pra passar uma determinada experiência, e aquilo seja o que o público sendo atingido gosta. Por isso, não anuncie outra coisa. Seja honesto com o seu público. Se o seu jogo é não tão legal, mas tem uma boa idéia por trás, faça como eu: fale! Entao aí está: o Corrida Presidencial não é tão legal, mas ele passa uma mensagem que eu gostaria de passar. Nas eleições passadas, muita gente escreveu em blogs, muita gente xingou muito no twitter… e eu? Eu fiz um jogo. E de quebra aprendi a mexer numa plataforma completamente nova pra mim. Tem desvantagens? Acho que não.

Não seja tão duro consigo mesmo, amigue!

Não seja tão duro consigo mesmo, amigue! Você tem seus talentos!

Decisões

Apesar de tudo, queria que o jogo não fizesse apologia a favor ou contra nenhum candidato. Por isso, ele se passa num país completamente desconhecido, cujas cores da bandeira não são definidas, os monumentos são fictícios e onde os cadidatos que você pode escolher são completamente imaginários: João Guerra e Vilma Nassif. Qualquer semelhança é puramente coincidência.

Tem um candidato no jogo, no entanto, que tem muitas referências literais; e eu não vou dizer quem é, senão dá spoiler. Mas se você destravar ele, ganha um achievement! E esse candidato era o único dos três que não merecia estar ali, por um motivo básico: ele nunca travestiu suas opiniões pra ganhar votos. Então a presença dele é mais uma homenagem que qualquer outra coisa. E a vantagem é que você tem N-eas vidas com ele, o que te dá a chance de jogar como você jogaria na vida real: mentir pra ganhar mais votos ou fazer uma longa corrida mantendo as suas opiniões verdadeiras do início até o fim, mesmo que isso signifique ganhar menos votos. Obviamente quem só for jogar 5 minutinhos e falar “heh, que bosta” não vai ter saco de ler até aqui, mas hey, had to get it out of my system!

Finito!

Como eu fiz tudo sozinho (obviamente com ajuda de opiniões e playtests de todos que tão lá nos créditos e outros, mais o Eddy Seabra que me deu umas boas dicas pra deixar a landing page do jogo mais bonitinha), o tempo que eu investi foi um bocado maior que o que se investe num jogo de fim de semana. Sempre se deve tentar fazer o melhor possível dentro do tempo que você tem; o mais difícil é pesar essas duas coisas. Eu cheguei num ponto em que o jogo estava bom-o-suficiente porque 1) já tinha tudo que eu queria passar; 2) era mais divertido do que eu esperava que ficasse e 3) tava na hora de largar o osso e partir pro próximo projeto. Então é isso, embora longe de perfeito, tentei deixar fechadinho e polido dentro do deadline que eu me impus mas, obviamente, ficarei feliz com qualquer sugestão ou bug report que vocês possam colocar aqui nos comentários! Então como sempre, agradeço a todos que jogaram e que leram até aqui. Espero que o jogo e o post sirvam pra pensar uns 5 minutinhos sobre qualquer um dos assuntos, e que tenham sido pelo menos levemente divertidos!

Pra quem quiser, seria de grande ajuda responderem a 4 perguntinhas a respeito do jogo! Nenhuma delas é obrigatória e você não precisa se identificar/dar e-mail nem nada! Basta clicar aqui!

Assim que der, vou fazer alguns posts aqui no blog sobre como usar o Flixel – teve muita coisa boba que eu demorei um bocado pra pegar, então acho que pode ajudar alguém! Pensei até em divulgar o fonte também, mas boy oh boy, depois da semana final em modo XGH, ele virou uma macarronada só que ia atrapalhar mais que ajudar – e a sensação de colocar o código aqui seria a mesma de postar uma foto nu na internet. Sim, nu, na internet. Agora que você está desinteressado no source, fique de olho no twitter pros posts sobre Flash!

Nu. Na internet. Sim.

Nu. Na internet. Sim.

Off I go!

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Feb/11

26

Gamerama 2011

Mortos? Não. Desaparecidos? Um pouco. Parados? Nunca!

A verdade é que estamos sempre preparando algo por debaixo dos panos. Bom, pelo menos desde o fim do período! A boa notícia é que o nosso “sumiço de fim de período” vai terminar porque, bem, a graduação terminou, mas a má notícia é que isso envolve ocupar as férias terminando sua monografia de Projeto Final em vez de fazer joguinhos. Por outro lado, o tal Projeto Final é um framework para jogos e um protótipo de um jogo 3D velho conhecido de todos nós, o que torna a coisa toda bem mais agradável!

Ops, eu falei que ficamos apenas escrevendo uma monografia em vez de fazer joguinhos? OK, é mentira. O Yanko estava fazendo joguinhos durante boa parte do tempo em que deveria estar escrevendo, e tal projeto secreto será divulgado ainda durante este final de semana se a meteorologia contribuir a nosso favor. Fiquem ligados!

Mas em especial, além disso, durante a semana passada aconteceu no prédio da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em Botafogo, Rio de Janeiro, mais uma edição do Gamerama! Como não podemos perder uma oportunidade de acordar cedo e pegar duas horas de engarrafamento para fazer joguinhos e novos contatos, obviamente nós da deV()id estávamos lá presentes, firmes e fortes. Como nosso amigo Guilherme Xavier fez o grande favor de descrever extensivamente a estrutura do evento ao longo dos quatro dias (terça a sexta) no blog oficial, vou dedicar este post a contar com maiores detalhes a nossa experiência pessoal e as regras dos jogos (loucos) que desenvolvemos.

O que, você ainda não clicou no link para o blog oficial para conhecer o evento? Tudo bem, vai lá, eu espero. Enquanto isso, veja esta foto que tiramos no fim do último dia (e eu kibei do blog oficial, então você poderá encontrá-la lá também):

Equipe final do Gamerama Workshock: Tabuleiro Botafogo

Pros realmente preguiçosos: foi um evento de 4 dias, de terça a sexta-feira. Os três primeiros dias foram divididos em duas partes: uma de teoria, com uma palestra sobre Game Design proferida pelo Guilherme, e outra de prática, onde a turma era dividida em grupos e cada grupo deveria desenvolver o design de um jogo: analógico nos dois primeiros dias, e eletrônico no terceiro. O último dia foi inteiramente dedicado à finalização da implementação do protótipo do jogo eletrônico (que na prática foi iniciada ao longo do resto do terceiro dia, em casa mesmo).

Nosso grupo inicial era formado por mim (Tinnus), Yanko e o Dudu, um designer e ilustrador muito gente boa que contribuiu enormemente nas discussões de design e principalmente na confecção da arte final do jogo eletrônico. Recomendo fortemente que todos conheçam seu trabalho visitando o Arte Cinco Produções Artísticas.

Ah, e você não pode entrar na FGV com qualquer peça de roupa que mostre as pernas. A não ser que seja uma mulher. Não que eu reclame de mulheres poderem mostrar as pernas, mas acho que um calor de 40 graus no Rio de Janeiro deveria ser suficiente para deixarem homens mostrarem as canelas também =P

Pois bem, no primeiro dia deveríamos desenvolver um jogo que utilizasse apenas dados comuns, com um número de cada entre 1 e 6 (ou um D6, se você for do tipo maníaco por RPG). Além disso, todos os jogos tinham um tema e algumas restrições conceituais que deveriam ser seguidas, e não poderiam depender exclusivamente de sorte. Obviamente eu não lembro quais eram as restrições do primeiro dia, mas o que conseguimos depois de uma hora gastando massa cinzenta foi um jogo chamado “Termo-Pôker (com dados)”. Sim, soa estranho, e era mesmo, mas não reclame, o jogo só poderia usar dados! Resumindo bastante, a mecânica consistia em ter um dado que funciona como “termostato”, mostrando a temperatura atual da “sala”. Sendo um jogo para dois jogadores, um jogador quer esfriá-la e o outro, esquentá-la. Para isso, eles revezavam dois papéis, onde um jogava um segundo dado enquanto o outro posicionava um terceiro dado de certa maneira, oculto do primeiro jogador, que poderia então optar por jogar seu dado novamente ou não. O resultado da rodada dependia da soma dos dois valores, o que introduzia um fator de “blefe” ao jogo. Acabou não sendo lá muito divertido, mas é incrível o que descobrimos ser possível conseguir com um conjunto tão restrito de interfaces a serem trabalhadas.

Nossas ferramentas: dados coloridos (com faces opcionalmente cobertas por fita amarela para ajudar a visualizá-los de um jeito diferente)

O segundo dia exigiu o desenvolvimento de um jogo de cartas. Fácil, certo? Exceto que, além de ainda existirem restrições conceituais, cada grupo só poderia utilizar um certo subconjunto do baralho (uma outra discussão é se isso foi feito porque o Guilherme só tinha dois baralhos, mas deixa pra lá). Bom, nós só tínhamos à nossa disposição as figuras de um baralho, ou seja, 4 valetes, 4 damas, 4 reis e 2 coringas. E o tema do jogo era “música”. Resultado: cada jogador (até 3) começa com 3 cartas na mão. O restante é um monte de compra. O objetivo é ter um valete, uma dama e um rei da mesma cor na mão. Para isso, em cada rodada um jogador pode comprar uma carta do monte e jogar outra de volta para ele, ou pegar (às cegas) uma carta da mão de outro jogador e permitir que ele faça o mesmo para manter a quantidade de cartas em amas as mãos. Os coringas, neste caso, só atrapalham.

“Mas onde está a música?”, eu ouço você perguntar. Pois então, a música está em que, no começo do jogo e após cada jogada, o jogador deverá cantar sua prediominância. A predominância é definida como a carta que mais aparece na mão do jogador (ou, caso ele tenha três figuras diferentes que não sejam da mesma cor, a carta de cor diferente). Como, naturalmente, reis são barítonos, valetes são tenores, e damas são sopranos, a definição de “cantar” nesse contexto é pronunciar uma nota “mí” no tom correspondente a cada tipo de carta: respectivamente, baixo, médio e agudo. Os coringas neste momento podem ser considerados como qualquer carta, possibilitando a manipulação da predominância divulgada. Além disso, quando tiver uma mão vencedora, o jogador deverá abaixar suas cartas para a mesa, cantando “Ó-PERÁ!”, se suas cartas forem pretas, ou “FÍ-GARO!”, se forem vermelhas.

Uma regra que foi desenvolvida para jogos mais emocionantes, e pouco recomendada para aqueles que possues restrições médicas contra fortes emoções, é a “morte súbita”: se entre o momento que um jogador começou a cantar a palavra da vitória e o momento em que suas cartas tocam a mesa, outro jogador o acertar (sim, fisicamente!) com uma carta de coringa, o jogador não mais é vencedor; ele é obrigado a pegar o coringa para sua mão, e o jogador que arremesou o coringa toma uma carta da mão do ex-vencedor para sua própria. Acabou que esta regra se tornou a mais divertida, gerando toda uma mecânica de blefe no final da partida.

Três jogadores experientes de "Ó-PERÁ!". O uniforme oficial para se jogar é camisa branca e calça jeans. Como foi um jogo desenvolvido na FGV, você não pode jogar de bermuda.

Por último, mas não menos importante: o jogo eletrônico! Kibando a descrição do nosso jogo do blog oficial…

Darwincraft: percorra as cavernas misteriosas em um carrinho de mineração, evoluindo e involuindo  mineradores, cujo trabalho em conjunto é a forma de avançar. Um jogo de ritmo, transporte e evolução.”

E o tema era gangorra. Em detalhes: você (sozinho ou com a ajuda de um amigo) controla um carrinho de mineração, daqueles que mexe uma alavanca-gangorra pra andar no trilho, populado inicialmente por dois macaquinhos simpáticos. Pontos são ganhos caminhando para frente, em uma mina aparentemente infinita. Porém, macacos se cansam rápido e gastam um pouco de energia a cada vez que movem o carrinho; para resolver este problema, eles devem pegar as bananas que caem do teto regularmente. Além disso, ocasionalmente apareceriam algumas caixas no caminho, que o jogador poderia escolher pegar, ou não, e colocar no seu carrinho-reboque. Uma caixa faz com que seus pontos aumentem mais rapidamente e que seus macaquinhos evoluam! Primeiro para homens das cavernas, e depois para homens modernos. Porém, homens evoluídos destruíram o meio ambiente (apesar de ainda gostarem de banana), fazendo com que caiam menos bananas quanto mais evoluído você está; por isso a qualquer momento o jogador pode optar por involuir seus personagens, com uma penalidade no total de pontos atual. Se sua energia termina e você fica estagnado no meio do percurso, você perde.

Para este projeto nosso grupo aumentou de 3 para 5 pessoas. Ainda assim, eu era o único programador. Como eu tenho um sistema de prioridades meio descalibrado, passei quase a quinta-feira inteira desenvolvendo o código que faria a pista infinita aleatória funcionar, e boa parte do resto do gameplay teve que ser adicionado no dia seguinte. Para piorar, eu não consegui ir no dia da definição das regras, então cheguei lá na sexta ainda sem saber de alguns detalhes. O lado da arte também não tinha andado muito na véspera, o que deixou o resto do grupo ocupado cuidando disso. Resultado: graças em parte aos gráficos-padrão do Game Maker, as bananas viraram bolhas de corações, as caixas viraram bolhas de energia (que passaram também a cair do teto), e a idéia do carrinho-reboque foi pro espaço. Mas hey, a mecânica do jogo funciona (e o efeito da evolução/involução ficou até bem legal)!

DarwinCraft: porque tudo que tem "Craft" no nome dá certo.

Para quem quiser jogar: link aqui. Desculpem o tamanho (17MB), mas é o que acontece quando você não pode usar o comando “rotate sprite” (que só tem no Game Maker Pro) e manda ele gerar 36 rotações de todas as sprites na mão =P

Controles: A e Z movem o personagem da esquerda para cima e para baixo, respectivamente, e as setas direcionais para cima e para baixo fazem o equivalente com o da direita. Para que um impulso seja dado de fato no carrinho, é preciso que ambos os personagens se movam ao mesmo tempo de acordo com a posição atual da gangorra.

Finalizando, conclusões gerais sobre o evento: é realmente muito interessante e abre sua cabeça pra um monte de coisas principalmente na área de Game Design. Além disso, treina artistas e programadores não só a trabalharem rápido, mas também a aprenderem a se comunicar e colaborar com eficiência em prol de um objetivo comum a curtíssimo prazo. Vale muito a pena para quem gosta disso, seja designer, artista, ou programador, e é sempre muito legal conheer gente nova (ou reencontrar amigos antigos).

Outras conclusões paralelas: a promoção de duas pizzas pelo preço de uma na terça-feira do Domino’s realmente vale a pena, e é REALMENTE impossível estacionar em botafogo durante a semana pela manhã.

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